14.9.06

vivo

vivo ao sabor da chuva que recomeçou a cair
vivo em cada gota a vida que me cai do olhar
vivo na pressa de quem vai, para voltar a ir
e na certeza de quem aqui escreve só por falar

vivo as minhas noites antes dos dias
e tenho as madrugadas como guias
acordo e vivo antes de adormecer
vivo acordado até mais não poder

assim vivo e volto a viver
até a noite eterna chegar
que um dia me há-de vir ver
e nos braços me há-de levar

3 comentários:

sr disse...

é mesmo o teu retrato...

n disse...

Um poema à vida, e depois termina assim?
Deixa lá a vida eterna, moço,que outras te levem nos braços, não essa. Beijos

João disse...

como já te disse n, é pacífico em mim (porque tem que ser) o entendimento sobre o fim dos fins. não quero, não queria, amo a vida, bebo-a em longos e constantes tragos, vivo-a e deixo que ela me invada os sentidos para me sentir ainda mais a vivê-la. não penso no "quando" nem no "como", não quero mas sei que perderei a luta pela eternidade. até lá, permite-me que resuma o fim ao seu significado de condição necessária para que haja tanta vida.