11.9.06

no mar

já no seu seio, este nosso caminhante encontra uma paz inédita para tão estranho mar. sente-se como se, por segundos, se visse a si próprio no reflexo das águas. são sensações novas acompanhadas por gigantescas doses de familiaridade, são momentos em que abraça este mar como se do céu se tratasse. sem perder a consciência do desconhecimento, o caminhante livra-se de qualquer peso que o possa atrasar dos ventos e correntes que o conduzem e encontra no mar em si, aquilo que o velho d’o velho e o mar encontra no peixe ao qual quer ganhar uma luta titânica. nunca na vida ele havia olhado com tão grande à vontade algo de tão novo, estranho e grandioso. por momentos, isso deixa-o pensativo… mas é só por momentos, logo depois, abandona-se à alegria da entrega pura e sem medidas e recebe do mar tanto ou mais do que aquilo que se sente a dar. sente-se preenchido por isso e vive a viagem deitado de costas nas águas, olhando o céu sem reservas.

3 comentários:

n disse...

mas para chegar aí foi preciso enfrentar a dureza do deserto e dizer-lhe" não tenho medo de ti", e deixar de acreditar no paraíso, porque o paraíso não existe.
Valeu a pena!
teria ido com ele, com o caminheiro, mas há viagens que temos que encetar sózinhos.
Parabéns. Um abraço

sr disse...

tou a gostar, sim senhor...
já tou a imaginar cenas do próximo capítulo... será que ele se vai tornar marinheiro? pirata? peixe-sapo?...
(tou a brincar..)
continua!... sff

João disse...

:)