10.1.07

retórica

matamos os que não sabem viver em sociedade?
ou ensinamo-los pacientemente?
e se não quiserem aprender a viver em sociedade?
já os podemos matar?
é melhor não… depois sobramos poucos…
já agora, portugueses, quantos portugueses haverá que sabem viver em sociedade?
dezenas de milhar? centenas de milhar?? milhões??? a sério????
e os que não sabem, quantos serão?
os que sugam, vidas inteiras, a paciência dos outros?
quantos serão os que levam a vida sentados nos seus umbigos?
talvez as coisas se equilibrassem se fossemos todos menos materialistas…
talvez…

2 comentários:

MRsK disse...

acabam por ser os "sugados" aqueles que ousam ensinar os que não sabem quando parar de sugar. se assim não for... parece ser esse o conforto que actualmente orienta a espécie.

Pedro Sá Valentim disse...

a coincidência não podia ser a melhor, vou ter um exame de Estética daqui a uma hora, para o qual, entre outras coisas tenho de saber que Oscar Wilde tinha a opinião de que viver em sociedade implica mentir,e que na sequência disto mesmo, o mentir por mentir é a única forma de mentir acima de qualquer censura, porque só assim pode haver arte, só assim o artista pode ser livre de qualquer caução externa, política, filosófica, moral, etc. Wilde defendia que toda a arte, não tendo em si qualquer fim, era inútil, não servia nenhum fim básico e que era precisamente por isso que seria mais importante que tudo o resto, ele dizia:" ...é uma sorte para nós que a Natureza seja tão imperfeita, pois de outro modo não teríamos tido arte absolutamente nenhuma, a arte é o nosso protesto sanguíneo, a nossa tentativa galante de ensinar à Natureza o seu verdadeiro lugar". Sem ser tão radical, Kant também via o estético como uma espécie de estratégia crítica ao resto,uma zona livre, de liberdade livre, não contaminada pelo resto, pelos outros princípios. Voltando Wilde e à sua teoria de que viver em sociedade implica mentir, mentir por mentir, como fazer arte pela arte, para criar para nós aquilo que infelizmente a nossa natureza não nos pode oferecer, é interessante ver este confronto Arte vs. Natureza, será que ao sermos demasiado naturais estamos a comprometer uma melhor vida em sociedade, e que só mentindo [que é o mesmo que recorrer a um artifício que não nasce connosco mas que podemos construir para nós (obra de arte)]a conseguimos tornar mais agradável?

Bem, é melhor sair de casa para ir fazer o exame.
Um Abraço