será que à medida que vamos envelhecendo nos vamos cansando de remar contra a corrente? perderemos fôlego a cada derrota, a cada queda, a cada desilusão? ou será que, pelo contrário, saímos fortalecidos a cada cicatriz sarada e voltamos a remar, remar e remar. estaremos também cada vez menos disponíveis para aprender com o outro? com humildade? perderemos à medida que vamos envelhecendo, a visão lúcida do trabalho a fazer para que as coisas evoluam, andem p’rá frente? perderemos tacto? sensibilidade? perderemos a luta contra o comodismo, o facilitismo e o deixa andar? será? será que enfraquecemos também espiritualmente?
talvez dependa de alguma coisa interior, talvez não seja regra, acredito que não, acredito que é preciso ser-se muito forte para se aguentar o envelhecimento com os olhos postos no futuro e os esforços no presente, mas há quem o faça. acredito que muitos deles acabarão por desistir, eu próprio o farei. mas também acredito que outros só desistirão quando o futuro deixar de existir. vejo-os, poucos, sei, mas vejo-os à minha volta. vejo-os a lutar de dia em dia, a lutar muitas vezes acompanhados pelo cansaço da tristeza e da desilusão, a lutar todos os dias contra ventos e marés, tempestades e nortadas, a lutar para simplesmente sobreviver a este início de séc. XXI, mas a lutar. fatigados, exaustos mas de pé, a lutar, a ser exemplo para os demais.
os que não desistem, os que querem o bem e o praticam todos os dias, esses, bem hajam pelo exemplo que são.