5.9.07

um dois

um ano,
um amor,
um ano
depois,
pois claro,
um plano:
amar.
continuar
a crescer
e aprender,
a ser
a dois
um ser,
um ente,
entre dois,
entre as estrelas
e os vulcões.

4.9.07

o humanóide que se arma em filósofo usando um discurso cubista

ser e deixar ser. falar e escutar, honestamente. falar sobre si, ouvir sobre o outro. questionar, interrogar, perguntar o quê, como ou porquê. ouvir e retribuir, aceitar e confrontar.

ser e deixar ser, do fundo. olhar a riqueza de cada um nas suas coisas únicas, valiosas, admiráveis. dar e receber, dialogar e discutir o sexo dos anjos, ou não, discutir outra coisa qualquer, discutir dialogando sobre qualquer coisa mais filosófica, mais social, antropológica ou, quiçá, até filantropa. elevar o pensamento ao idealismo se for caso disso, mas elevar o pensamento discursante ao nível do humanamente desejável e, já que somos humanos e sonhadores, que conduzamos este pensamento na direcção do desejável (já que a realidade que temos não nos deixa ir mais longe), que conduzamos esse pensamento elevado com os gestos do dia-a-dia.

tudo na vida é apreciável, até a dor e o sofrimento o são quando nada mais nos resta. então, se até o que dói pode ser bom porque nos faz sentir quem somos, é suposto que apreciemos o que de melhor os dias nos dão, seja em casa, na família, com os amigos e até no trabalho, é difícil – não, é fodido! é fodido especialmente se encontrarmos malta que fala outro dialecto. se assim for e se formos inteligentes como somos (de tão humanos que somos), não é possível arranjarmos uma qualquer forma de comunicação?

comunicar, opinar sobre o mundo desejável, porque não? opinar, opor sem confronto, sem competição ou concorrência, opor só para enriquecer o conceito com uma visão diferente, uma perspectiva nova ou não, mas diferente.

dar e receber, ligar os humanos com os ramos interiores de cada um, uni-los com nós, uni-los com o que damos de nós e o que recebemos deles, juntar tudo ali, no mesmo sítio, juntar tudo ali e cultivar, cultivar o que se tem com quem se gosta. como se sim, como se não fosse só um sonho.

27.8.07

de deuses e santos

se deus fosse homem
meu caro
seria menos sagrado
teria sangue nas veias
e chagas na alma
não haveria cruz
nem pregos
nem santos
nem trevas
nem luz
só humanidade
de verdade
de corpo e carne
de nervo e osso

se deus fosse homem
meu caro
seria dos nobres o céu
dos desabitados o inferno
e não haveria purgatório
nem juízes nem júris
nem leis
nem prisões
nem reis
nem sermões
só homens iguais
na arte de o serem
de corpo e carne
de nervo e osso

24.8.07

2 blockbusters: 1 vazio, 1 a transbordar


esperava-se muito mas não… foi uma perfeita desilusão. um filme do tarantino que mais parece uma sessão dupla da série “o sexo e a cidade” numa versão texana. nem os diálogos entre os grupos femininos conseguem ser originais. o desepenho do kurt russel e as inspirações do “terror na auto-estrada” não chegam sequer para aliviar um bocadinho a sensação de filme vazio. o que vale é que era segunda-feira e o bilhete era mais barato…





a cultura pode ser diferente, a língua também, mas do japão a marrocos e de marrocos ao méxico, o sangue dos homens é o mesmo, é vermelho vivo. os sentimentos que toldam os dias têm o mesmo nome em qualquer lugar. no desespero, a vida tem mais sentido do que nunca. intenso, profundo, simples na forma complexa de dar destino ao acaso. um daqueles filmes que nos torna pequenos no egoísmo de quem acha que está só e nos faz crescer quando transportados para o cerne de um drama que podia ser o meu, o teu, o dele ou o dela.

23.8.07

família & sardinhas

o dia esteve particularmente fresco, o pátio está inundado de intimidades familiares que se desenrolam por entre sombras, rasgos de sol, árvores de fruto e o parque infantil da mais nova. neste lado da mesa e de frente para todo este cenário de corrupio em volta da sardinhada, assenta o laptop que serve de bloco de notas ao acontecimento. ouvem-se baixinho sonatas de beethoven majestosamente tocadas pela maria joão pires. o ar começa a ficar aquecido pelo carvão, são os homens a tratar do fogo que há-de tratar das sardinhas. as mulheres cuidam de tudo o resto enquanto a criança de três anos se aproxima com uma cadeira nos braços a perguntar o que faço, digo que escrevo e ela fica na mesma enquanto observa este gesto estranho. resiste pouco mais de um minuto e regressa à brincadeira de bonecas. os cães descansam as línguas do calor da tarde. “ó tio, come”. venham as sardinhas, vou a elas.
vale da sancha,
algures no início de agosto

22.8.07

rusty


vim!!!

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3.8.07

vou ali já venho

família, aqui vou eu! que me esperem os afectos e muito mimo, que me esperem os dias de ócio e os longos sonos, os passeios, o sol, a água e as esplanadas. que me espere o porto que já lhe tenho saudades e a berlenga que nunca me viu. até logo.